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Braga no radar da Estratégia Digital Nacional: empreendedorismo e Bio-MedTech Hub em destaque

Esta quinta-feira, o Secretário de Estado para a Digitalização, Bernardo Correia, deslocou-se a Braga para visitar dois dos principais polos de inovação da região: o Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia (INL) e a Startup Braga, a incubadora tecnológica do Município.

A visita enquadrou-se na nova estratégia do Ministério da Reforma do Estado, que passou a integrar a área da Digitalização, e teve como objetivo auscultar as necessidades das empresas emergentes, reconhecer os principais desafios do ecossistema e identificar oportunidades para reforçar a Estratégia Digital Nacional e a futura Agenda Nacional de Inteligência Artificial.

No INL, Bernardo Correia reuniu com a direção para conhecer projetos em curso nas áreas da nanotecnologia e da inovação aplicada. Seguiu-se uma visita à Startup Braga, onde teve contacto com soluções de base tecnológica — muitas delas sustentadas por Inteligência Artificial — aplicadas ao setor energético (A+Casa), biotecnologia alimentar (OmniumAI), engajamento digital (PluggableAI), planeamento cirúrgico ortopédico (PeekMed) e automação inteligente de processos (Automaise).

A sessão foi presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, que destacou a relevância nacional do projeto Bio-MedTech Hub, o futuro Centro de Valorização e Transferência Tecnológica (CVTT) da cidade. Segundo o autarca, esta é uma infraestrutura “determinante” para acelerar a inovação e digitalização no setor das Ciências da Vida e da Saúde, reforçando as sinergias entre startups, academia, hospitais e centros de investigação. A visita do Secretário de Estado assume, por isso, particular importância, num momento em que se definem novas prioridades políticas e se consolidam planos estratégicos de desenvolvimento nacional e regional.

Para Luís Rodrigues, Diretor da Startup Braga, o hub de inovação do Município beneficiou sempre da capacidade científica e tecnológica da cidade, apoiando a criação e crescimento de projetos altamente inovadores ao longo da última década. No entanto, “o novo ciclo político impõe, por si só, renovação — que certamente irá alavancar a nossa proposta de valor e reforçar a capacidade de Braga se afirmar como uma plataforma privilegiada para criar e escalar empresas tecnológicas de base científica”.

O Bio-MedTech Hub surge precisamente da necessidade, identificada no processo de descoberta empreendedora, de dotar a região de infraestruturas laboratoriais especializadas. Para Alexandre Mendes, conselheiro da Startup Braga, trata-se de uma infraestrutura “tardia, mas necessária”, capaz de colmatar lacunas históricas e criar condições para que startups deep-tech e medtech possam validar e desenvolver as suas tecnologias sem sair da região.

Um exemplo dessa necessidade foi partilhado por João Pedro Ribeiro, Co-Fundador e CEO da PeekMed, que recordou as dificuldades enfrentadas para realizar testes essenciais à validação da sua tecnologia, obrigando a empresa a deslocar-se a Lisboa “por falta de infraestruturas adequadas no país”. A criação do Bio-MedTech Hub poderá, por isso, “aproximar processos críticos de validação clínica” e reduzir barreiras ao desenvolvimento de soluções inovadoras.

Também Ernesto Pedrosa, Co-Fundador e CEO da Automaise, relembrou que para empresas digitais o território importa menos do que a ambição global — mas reconheceu que a mobilidade de talento permanece um desafio estrutural. Essa visão foi reforçada por Alexandre Mendes, ao alertar que apenas um unicórnio português mantém sede em Portugal: “Que impressão digital queremos deixar? A ambição deve ser que fiquem cá — em Braga, ou pelo menos em território nacional.”

Para inverter esta tendência, o Secretário de Estado comprometeu-se a trabalhar rapidamente em soluções estruturais, dando prioridade à simplificação regulatória, à redução dos custos de conformidade e ao aumento da interoperabilidade dos processos públicos.

Entre as medidas em análise, destacam-se:
  • a criação da Carteira Digital da Empresa e de uma Plataforma de Licenciamento, garantindo maior eficiência administrativa;
  • a aplicação de um regime de Escalabilidade da Regulação, adaptando as exigências legais à fase de desenvolvimento das empresas, evitando sobrecarga regulatória nas fases iniciais;
  • a revisão do regime das Zonas Livres Tecnológicas (ZLTs) e das sandboxes regulatórias, permitindo ambientes de experimentação mais dinâmicos e ajustados às necessidades das startups.

A autarquia bracarense reafirmou a sua disponibilidade para colaborar ativamente com o Governo na agilização destes processos, de forma a fortalecer o ecossistema e consolidar Braga como um polo nacional de referência em inovação, tecnologia e empreendedorismo.

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